Qualificações e Defesas de Doutorado e Mestrado de discentes do CPDA/UFRRJ agendadas

Seguem as qualificações e defesas de Doutorado e Mestrado de discentes do CPDA/UFRRJ agendadas, até o momento, para o mês de setembro.


 

BANCA DE DEFESA DE DOUTORADO

Discente: LUIZA BORGES DULCI
Data: 02/09/2021
Horário: 14h

Título: O Sul de Minas Gerais e a governança da rede de produção global do café no século XXI
Resumo: Café. Mundialmente comercializado em grãos verdes, torrado e moído, solúvel e em cápsulas, assim como em bebidas cafeinadas diversas, sua dinâmica de produção e consumo expressa uma divisão internacional do trabalho, na qual países do Sul cultivam e países do Norte consomem. O Brasil se apresenta como um ponto fora da curva, na medida em que produz mais de um terço do café do mundo e constitui-se como o segundo maior consumidor, atrás apenas dos Estados Unidos. O Sul de Minas Gerais se destaca como principal região cafeeira do país, contabilizando um terço do café nacional e dez por cento do café mundial. Nesse contexto, a pesquisa busca responder à pergunta de por que o Brasil e o Sul de Minas Gerais em particular, têm sido incapazes de capturar e usufruir de parcela expressiva da renda gerada pela rede de produção global do café? O trabalho evidencia que as dificuldades encontradas pelas regiões e pelos grupos sociais dedicados ao cultivo do café, no Brasil e no mundo, refletem arranjos de relações que sustentam padrões específicos de governança, com destaque para a regulação; a concentração e a internacionalização das empresas; e a financeirização. Acrescenta-se a isso os efeitos do chamado Paradoxo do Café, que contrasta a desvalorização dos grãos e de seus produtores nos países do Sul com a valorização nas cafeterias e supermercados dos países do Norte. A realização da pesquisa implicou o uso de fontes orais e textuais, bem como de métodos quanti e qualitativos. Fontes primárias envolvem 44 entrevistas e visitas de campo em Minas Gerais. Fontes secundárias correspondem à análise de dados sobre o mercado mundial e brasileiro de café provenientes de instituições públicas e privadas, empresas, cooperativas, universidades e institutos de pesquisa, bem como da literatura especializada no tema. Com base nas fontes analisadas sustentamos a hipótese de que a atuação dos atores privados e públicos envolvidos com o negócio do café no Brasil têm sido insuficientes para superar a condição de subordinação e reverter os padrões de desigualdade que caracterizam a rede. O mercado de cafés especiais se apresenta como uma alternativa capaz de reverter padrões de desigualdade, na medida em que abre possibilidades de encurtar circuitos de comercialização e consumo e remunerar melhor os agricultores. Porém, os dados mobilizados na pesquisa indicam que ele se encontra amplamente dominado por dinâmicas corporativas. Ademais, a crescente valorização do café no Norte se dá, sobretudo, em razão de atributos imateriais, criados no momento do consumo, de maneira que a renda auferida não é revertida aos agricultores. Diante desse contexto, questiona-se os limites das estratégias de inserção em uma rede controlada por grandes multinacionais situadas no Norte e de uma distribuição mais equitativa e justa da renda e do poder considerando o padrão de governança atual. Mudanças necessárias apontam para o fortalecimento das capacidades estatais de apoio à agricultura e indústria nacionais, bem como a construção coletiva de caminhos por mais autonomia e emancipação.
Palavras-chave: café; Rede de Produção Global; financeirização; sistemas alimentares.

Banca:
Sergio Pereira Leite (Orientador – CPDA/UFRRJ)
Claudia Job Schmitt (CPDA/UFRRJ)
John Wilkinson (CPDA/UFRRJ)
Aaron Schneider
Rodrigo Salles Pereira dos Santos (UFRJ)

Link para acesso: os interessados em assistir esta defesa devem solicitar o link de acesso pelo e-mail defesas.cpda.spl@gmail.com até as 10h do dia 02/09/2021.

 


 

BANCA DE DEFESA DE DOUTORADO

Discente: CRISTHIAN DANY DE LIMA
Data: 10/09/2021
Horário: 14h

Título: Cidade Branca, Terreiros Negros. Territorialidades sociorreligiosas negras no município de Uberlândia/MG
Resumo: Esta tese procura refletir sobre as dinâmicas de localização que foram acionadas ao longo do processo de espacialização dos territórios sagrados construídos a partir dos Saberes, Práticas e Tecnologias Sociorreligiosas Afro-Brasileiras (Terreiros Negros) presentes e atuantes, no espaço administrativamente definido como urbano, no município de Uberlândia/MG. Para tanto foi realizado o mapeamento dos locais de cultos que se auto identificavam como Terreiros, o que permitiu georreferenciar 300 localizações de diferentes ‘nações ritualísticas’: Umbandas, Omolocô, Candomblés Ketu, Angola e Jeje; Ifá, Kardecistas e locais de múltiplo pertencimento. A grandiosidade do número de Terreiros mapeados orientou o processo de pesquisa bibliográfica e histórico-documental. Procedeu-se assim à uma investigação acerca da configuração histórica daquele território urbano. Ao caracterizarmos os diferentes momentos históricos, a escala em que o mesmo era política e socialmente representado se alterava, inserindo novas alteridades em contato, com suas particulares itinerâncias e territorialidades. Nos contatos e relações que estabeleceram, diferentes formas de ocupação do território estiveram em relação produzindo sempre novas sínteses e contextos, que se mostraram indispensáveis para o entendimento tanto da origem da cidade, quanto de suas características atuais. No mesmo sentido, nos foi possível demonstrar que a existência de mais de 300 Terreiros Negros no município de Uberlândia/MG, também seriam tocados por aqueles
processos, ao mesmo tempo em que também atuariam na configuração territorial do município. De forma que suas existências e dinâmicas de localização (que incidem diretamente na definição de suas espacializações sobre a mancha urbana) resultariam tanto da intervenção do racismo estrutural (originário das tecnologias sociais e territoriais coloniais e continuamente atualizadas pelos sucessivos códigos de posturas e leis sobre uso e ocupação do solo, especulação imobiliária e expansão urbana); quanto de valores, saberes, práticas e tecnologias sociorreligiosas Afro-Brasileiras (a centralidade da natureza, o ‘mercado’ como valor civilizatório, a dimensão iniciática e a tecnologia do segredo, etc.). Demonstrou-se assim que, tanto o número de Terreiros existentes e suas respectivas localizações, quanto sua ‘presença invisível’ no tecido urbano, não podem ser compreendidas se não tomarmos em conta as múltiplas agências negras locais (expressas nos muitos Reinados e seus territórios, físicos e simbólicos). Consubstanciados em sete produtos cartográficos, pode-se constatar a generalidade da presença dos Terreiros por toda a cidade, concentrando-se prioritariamente no entorno dos cursos de rios, reservas e áreas verdes ainda existentes. Também se encontram mapeadas as redes de relações comerciais (artigos religiosos, bens, produtos e
serviços) diretamente mobilizadas pelo conjunto do ‘Povo de Santo’. Desta maneira, o trabalho conclui que apesar da vitalidade do racismo estrutural e de suas tecnologias segregacionistas, os mais de 300 Terreiros Negros existentes no município de Uberlândia/MG (e suas respectivas localizações) só se tornam inteligíveis se levarmos em conta o conjunto de estratégias e tecnologias sociais Afro-Brasileiras, continuamente (re) criadas e acionadas pelo conjunto dos adeptos dos Saberes, Práticas e Tecnologias Sociorreligiosas Afro-Brasileiras. Suas (re) existências constituem uma expressão local da vitalidade do continuum civilizatório Afro-Brasileiro.
Palavras-chave: cartografia social; continuum civilizatório Afro-Brasileiro; pós-abolição; segregação racial; terreiros negros.

Banca:
Eli Napoleão de Lima (Orientadora – CPDA/UFRRJ)
Debora Franco Lerrer (CPDA/UFRRJ)
Carmen Andriolli (CPDA/UFRRJ)
Beatriz Ribeiro Soares (UFU)
Pablo Luiz de Oliveira Lima (UFMG)

Link para acesso: em breve.

 


 

 

Postado em 01/09/2021 - 09:08 - Atualizado em 02/09/2021 - 15:16