Dissertações Mestrado 2018

Os trabalhos estão colocados em ordem cronológica (data da defesa) e podem ser acessados na plataforma Sucupira ao clicar em seus títulos.


 

AFONSO HENRIQUE DE MENEZES FERNANDES
A Frente Ampla da agropecuária brasileira: transição política e classes dominantes agrárias na Nova República (1986 – 1991)
Defesa: 01/03/2018

Banca: Regina Bruno (CPDA/UFRRJ – Orientadora), Debora Franco Lerrer (CPDA/UFRRJ), Sonia Regina de Mendonça (UFF) e Marcos Botton Piccin (UFSM).

Resumo: O presente trabalho visa estudar a experiência da Frente Ampla da Agropecuária Brasileira (FAAB) que funcionou de 1986 até 1991 como articulação política entre importantes entidades de representação de interesses de grandes proprietários de terras e empresários rurais e agroindustriais. Buscando reunir um conjunto abrangente de forças ao redor de sua direção política, a coordenação da Frente Ampla era composta por uma associação entre as lideranças da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), da Sociedade Rural Brasileira (SRB) e da oposição sindical da Confederação Nacional da Agricultura (CNA). A partir da análise da documentação produzida pela entidade, da repercussão de suas iniciativas na imprensa e de entrevistas com seus representantes, procuramos refletir sobre a sua formação e atuação durante o processo de transição política da Nova República, que visava defender a propriedade da terra, influenciar na definição das políticas agrícolas de seu interesse e consolidar seus dirigentes como porta-vozes privilegiados das classes dominantes agrárias brasileiras. Assim, colocando em maior evidência a estratégia política representada pela FAAB, podemos observar como esta iniciativa foi parte ativa de um amplo processo que ajudou a gestar uma nova direção política hegemônica na representação do patronato rural brasileiro, marcada pelo predomínio da noção de agronegócio e pelo novo pacto social inaugurado na Constituição de 1988.
Palavras-chave: Patronato Rural; agronegócio; representação de interesses; Constituinte de 1988; Nova República; FAAB.

 


 

RICARDO JOSÉ BRAGA AMARAL DE BRITO
“Luta-se pela terra livre”: resistência e luta pela terra em Cachoeiras de Macacu
Defesa: 16/03/2018

Banca: Leonilde Servolo de Medeiros (CPDA/UFRRJ – Orientadora), Regina Bruno (CPDA/UFRRJ), Mario Grynszpan (UFF) e Elina Goncalves da Fonte Pessanha (UFRJ).

Resumo: O trabalho buscou construir um fio interpretativo capaz de interligar as diferentes configurações que a luta pela terra assumiu na região da fazenda São José da Boa Morte e arredores. O centro da análise foi o esforço de compreender a formação de uma “resistência teimosa” entre os trabalhadores rurais. Para tanto, analisamos as fontes materiais e as dimensões simbólicas presentes nas ocupações de 1961, 1963 e 1979 na Fazenda São José da Boa Morte, buscando, ainda, expandir a análise para o Núcleo Colonial de Papucaia e seu entorno. Deste modo, a organização política dos trabalhadores rurais em momentos anteriores e durante a ditadura empresarial-militar, iniciada em 1964, foi o foco desta dissertação, que busca ligar a atuação local ao cenário político mais amplo e às múltiplas formas de atuação do Estado e da classe empresarial, bem como realizar uma reflexão sobre os usos e significados da memória na luta por terra.
Palavras-chave: terra.

 


 

JAY MARINUS NALINI VAN AMSTEL
Percepções, saberes e práticas sobre o meio ambiente na favela: o caso de uma intervenção ambiental na Grota do Surucucu, Niterói, RJ
Defesa: 21/03/2018

Banca: Maria José Teixeira Carneiro (CPDA/UFRRJ– Orientadora), Claudia Job Schmitt (CPDA/UFRRJ) e Glaucia Oliveira da Silva (UFF).

Resumo: A presente pesquisa se volta para a compreensão das questões ambientais vivenciadas pelos moradores da comunidade da Grota do Surucucu, Niterói-RJ, a partir das interações promovidas pela ação de uma ONG (Projeto Ecomagente). Busca-se elencar um repertório de relações entre moradores e interventores o que envolve fricções entre ideias, valores e interesses, recorrendo para isso às noções de “interface” e de “comunidades epistêmicas” de Long (2001). Com o foco voltado para os atores sociais, a pesquisa revela os diferentes significados e práticas sobre o meio ambiente que implicam em relações de sociabilidade próprias de um modo de vida. O foco desta análise está orientado para o conteúdo cognitivo que envolve os cultivos de plantas e criações animais, considerando como essas práticas se inserem no cotidiano e se justapõem no tempo/espaço com pequenos lixões, com a falta de esgotamento sanitário, entre outras questões. Com isso a pesquisa pretende discorrer sobre como a questão ambiental é (res)significada frente às especificidades da favela, tanto por processo interacionais quanto pela relação dos moradores com seu ambiente.
Palavras-chave: ambiente.

 


 

HANA MARIANA DA CRUZ RIBEIRO COSTA
Do sal ao cloreto de sódio: extração, industrialização e comércio do sal no entorno da Lagoa de Araruama (1850-1900)
Defesa: 08/06/2018

Banca: Eli de Fátima Napoleão de Lima (CPDA/UFRRJ– Orientadora), Thereza Cristina Cardoso Menezes (CPDA/UFRRJ), Pedro Parga Rodrigues (SME) e Susana Cesco (UFF).

Resumo: Este trabalho tem por objeto a produção salineira no entorno da Lagoa de Araruama, onde hoje se localizam os municípios de Saquarema, Araruama e Cabo Frio, durante a segunda metade do século XIX. O objetivo consiste em investigar o discurso da industrialização fomentado pelo governo Imperial e posteriormente Republicano presente no final do século e como ele se aplicou à Região das terras salgadas da Baixada. O uso de fontes primárias como periódicos; processos judiciais e pedidos de patentes industriais, nos permitirá analisar a disputa pela salicultura se desenvolver no âmbito político e científico, em uma escala regional e nacional. Buscamos aqui os primórdios de uma indústria que cresceu na região e teve seu apogeu e decadência durante o século XX.
Palavras-chave: Sal; industrialização; região.

 


 

VITÓRIA DE PAULA RAMOS
A Abordagem de Sistemas Agroalimentares Localizados (SIAL) e a sua tradução conceitual e institucional na América Latina e Brasil
Defesa: 11/06/2018

Banca: John Wilkinson (CPDA/UFRRJ– Orientador), Georges Gérard Flexor (UFRRJ) e Gilberto Carlos Cerqueira Mascarenhas Assis (SIAL Brasil).

Resumo: Este trabalho se propõe a realizar uma análise sobre a abordagem de Sistemas Alimentares Localizados (SIAL) desde sua criação até os dias atuais, começando pela sua evolução conceitual e passando pela pesquisa sobre sua origem e desdobramento institucional, procurando entender os momentos, pessoas e projetos que provocaram seus debates e sua disseminação da Europa, mais especificamente da França, para países da América Latina. A pesquisa começa por uma revisão literária que passa pelos principais debates acadêmicos que influenciaram a criação da abordagem SIAL, chegando à sua conceitualização, vertentes, mudanças e diferenças a partir dos seus principais autores. Em seguida, ao pesquisar os históricos institucionais desses principais autores e utilizadores da abordagem, dos Congressos Internacionais SIAL e das Redes SIAL de diferentes países, são identificadas tendências, similaridades, diferenças e desafios para sua disseminação e enraizamento do ponto de vista institucional, desde sua origem na França até sua disseminação na América Latina. Por fim, atenção especial é dedicada a entender como a abordagem vem sendo trabalhada no Brasil, o estado da arte da sua utilização em meios acadêmicos e em políticas públicas, quem sãos os principais pesquisadores e instituições atuando e implementando-a e são identificados tendências e desafios. Com isto, o trabalho pretende contribuir para o debate acadêmico em torno dessa abordagem no país, inserido em um debate mais amplo de desenvolvimento territorial rural.
Palavras-chave: Sistemas Agroalimentares Localizados; desenvolvimento territorial rural; políticas públicas

 


 

HÉLEN BARCELLOS DA SILVA MARTINS
A atuação da Fundação Cultural Palmares junto às Comunidades Remanescentes de Quilombos no Brasil (1988-2011)
Defesa: 05/07/2018

Banca: Carmen Silvia Andriolli (CPDA/UFRRJ– Orientadora), Thereza Cristina Cardoso Menezes (CPDA/UFRRJ) e André Dumans Guedes (UFF).

Resumo: O objeto de análise desta dissertação é a Fundação Cultural Palmares e o tema reside na compreensão da atuação desta entidade junto às Comunidades Remanescentes de Quilombos no Brasil. Fundação Cultural Palmares – FCP. Esta entidade integra o Ministério da Cultura e é responsável, desde 1988, por valorizar, divulgar, preservar e apoiar a cultura afro-brasileira. Até 2003, a FCP era a única entidade do executivo com a incumbência de titular, formular, apoiar e realizar programas e projetos com o objetivo de proteger as Comunidades Remanescentes de Quilombos. Opto por realizar a analise seguindo o intervalo dos chamados planos plurianuais, que são desenvolvidos de quatro em quatro anos e avaliados nos relatórios anuais da instituição, neste sentido, este trabalho compreende desde o nascimento da FCP (1988), observa os relatórios dos anos do governo de FHC (plano plurianual 2000-2003) até os do governo Lula (planos plurianuais 2004-2007 e 2008-2011). Em 19 de agosto de 2003, é assinado o Decreto 4814/03 que define comunidades remanescentes de quilombo como, ―grupos étnico-raciais, segundo critérios de auto-atribuição. A FCP, desta forma, tem suas atribuições, no que se refere a titulação de terras de CRQs, reduzidas, mas ainda mantem papeis importantes com relação a este grupo social.
Palavras-chave: quilombo.

 


 

ANA PAULA DONATO DE AQUINO
Autonomia e Organizações Indígenas: um estudo sobre projetos, atores e mediações na aplicação dos recursos do Fundo Amazônia
Defesa: 03/08/2018

Banca: Debora Franco Lerrer (CPDA/UFRRJ– Orientadora), Thereza Cristina Cardoso Menezes (CPDA/UFRRJ) e Sidnei Clemente Peres (UFF).

Resumo: A presente pesquisa insere-se nos esforços de reflexão acerca do corrente processo de consolidação das organizações indígenas na política indígena e indigenista. Estas organizações, que possuem caráter jurídico e formal, constituídas e dirigidas por indígenas, cresceram exponencialmente a partir da década de 1990, e têm, atualmente, experimentado um grau crescente de robustecimento e articulação institucional. Observei, em particular, esta dinâmica em operação no que se refere ao acesso e uso dos recursos do Fundo Amazônia, uma das iniciativas centrais da cooperação internacional ambientalista, e que passou a constituir uma importante fonte de recursos para a implementação de políticas públicas ambientais e indigenistas. Atualmente, o Fundo dispõe de cerca de R$ 139 milhões compromissados com um conjunto de 13 projetos que destinam recursos e executam ações em 83 terras indígenas na Amazônia. Esta carteira de projetos, bem como as questões que sua existência suscita, constitui o objeto da presente investigação. A motivação da pesquisa veio do fato de, deste conjunto de projetos, constar dois executados por organizações indígenas, e que tal situação tem sido coloca em cheque frente à demanda pela ampliação do “apoio direto” do Fundo Amazônia, para que os recursos sejam acessados e executados diretamente por organizações indígenas, demanda esta recoberta pela narrativa de promoção da autonomia indígena. No curso da pesquisa, aprofundo a reflexão sobre as organizações indígenas e que papéis, narrativas e demandas elas evocam, abordando desde o indigenismo no século XX e as transformações no que tange à inserção dos povos indígenas na sociedade nacional até à trajetória das duas organizações indígenas que lograram aprovação de projetos junto ao Fundo Amazônia – Associação Apiwxta e Associação Floresta Protegida. Discorro, também, sobre os antecedentes que contextualizam a inserção do Fundo Amazônia na configuração do indigenismo brasileiro, expondo as circunstâncias de sua existência e funcionamento e percebendo como este passa a ocupar um importante papel de financiador da implementação da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI).
Palavras-chave: projetos socioambientais; organizações indígenas; autonomia indígena.

 


 

MARÍA CAMILA PINILLA HERRERA
Más allá de los Cerros Orientales de Bogotá: conflictossocio-ambientalesenlos Cerros Compartidos de La Calera, Cundinamarca
Defesa: 23/08/2018

Banca: Andrey Cordeiro Ferreira (CPDA/UFRRJ – Orientador), Carmen Silvia Andriolli (CPDA/UFRRJ), Catalina Revollo Pardo (UFRJ) e Celso Sánchez Pereira (UNIRIO).

Resumo: Esse trabalho caracteriza e estuda alguns dos conflitos socioambientais que acontecem nos Cerros do município La Calera (Cundinamarca, Colômbia) desde a perspectiva da Ecologia Política Latino-americana. Identifica o território conhecido como Cerros Orientales de Bogotá como um corredor ecológico regional e como um território compartilhado pelos grupos sociais que o habitam, tanto na cidade quanto nos municípios adjacentes. Um dos conflitos estudados se relaciona com os impactos locais da construção do Sistema de abastecimento da água Chingaza, da represa de San Rafael e do atual projeto Parque San Rafael. Outro dos conflitos concerne ao processo de sub-urbanização e as mudanças ambientais, socioculturais e econômicas derivadas do mencionado processo. O terceiro conflito se configura a partir das tensões em relação à construção de infraestrutura viária Corredor Perimetral de Oriente de Cundinamarca, especificamente ao trecho La Calera – Choachi. Esses conflitos representam manifestações diferenciadas das relações de poder que têm caracterizado a configuração histórica de Bogotá e a sua região, nos quais sujasse e se atualiza constantemente a colonialidade da natureza.
Palavras-chave: conflito socioambiental; Ecologia Política Latino-americana; Cerros; água; sistemas alto-andinos; sociedade-natureza.

 


 

MARCELO BRUNO RIBEIRO BARBOSA
Assentamento Palmares II: perspectivas para a reforma agrária na Amazônia em meio ao avanço dos agro-minero-negócios
Defesa: 04/09/2018

Banca: Thereza Cardoso Menezes (CPDA/UFRRJ – Orientadora), Debora Franco Lerrer (CPDA/UFRRJ) e Elder Andrade De Paula (UFAC).

Resumo: Tomei como objeto de estudo o caso do Assentamento Palmares II, localizado no município de Parauapebas, sudeste do Pará e região de Carajás. Procurei investigar os efeitos sociais sobre o assentamento dos agro-minero-negócios, especialmente a mineração industrial. Demonstro como a experiência de reforma agrária na Amazônia está sendo marcada pelas recentes mudanças no marco legal e como estas transformações estão reconfigurando territorialidades e temporalidades tradicionais, camponesas e ambientais. Com foco nas experiências individuais e coletivas dos sujeitos que vivem em Palmares II, identifiquei e refleti sobre as pressões derivadas, direta ou indiretamente, do avanço dos agro-minero-negócios que hoje recaem sobre o assentamento. Acredito que o exame do caso de Palmares II forneceu elementos que podem contribuir para as reflexões sobre as possibilidades e limitações para o desenvolvimento dos assentamentos rurais da Amazônia brasileira em meio ao atual contexto de expansão dos agrominero-negócios nessa região.
Palavras-chave: assentamentos rurais; agro-minero-negócios; MST; Amazônia; Carajás.

 


 

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