Teses Doutorado 2019

O trabalho pode ser acessado na plataforma Sucupira ao clicar em seu título.


 

LUIZ CARLOS DE OLIVEIRA LOPES
Processos de territorialização, circulação e mobilização étnico-política dos Guarani (Mbya) do litoral da Costa Verde
Defesa: 08/05/2019

Banca: Thereza Cristina Cardoso Menezes (CPDA/UFRRJ – Orientadora), Leonilde Servolo de Medeiros (CPDA/UFRRJ), Debora Franco Lerrer (CPDA/UFRRJ), João Pacheco de Oliveira Filho (UFRJ) e Sidnei Clemente Peres (UFF).

Resumo: O termo Guarani é uma categoria que engloba muitas singularidades étnicas, a exemplo dos Mbya, os Ava, os Nhandeva, os Tupi e os Kaiowa, ocupando territórios diversos no Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Este trabalho dedica-se ao estudo dos Mbya residentes nas aldeias localizadas no litoral Sul do Estado do Rio de Janeiro e em uma aldeia no litoral Norte de São Paulo. O foco da pesquisa são os processos de territorialização empreendidos ao longo das décadas de 70, 80 e 90 pelo grupo mencionado. O palco para tais processos foram as profundas mudanças políticas, econômicas, culturais e sociais ocorridas na região da chamada Costa Verde e no Norte Paulista, especialmente com a construção da rodovia Rio-Santos na década 70. O processo de territorialização em curso nas décadas seguintes a 1970 é o ponto de partida para a reflexão desenvolvida. O trabalho aponta que é na luta pelo território que os Guarani constroem suas redes de alianças com os brancos e com outros indígenas em situação semelhante de litígio por terras nos cobiçados domínios da Mata Atlântica. Na atualidade, a mobilização dos Guarani é marcada pela circulação e acionamento de redes interétnicas, protagonizando lutas políticas por terra, saúde, educação, saneamento, etc. seja enquanto grupo étnico indígena, seja enquanto comunidade tradicional no âmbito do Fórum das Comunidades Tradicionais – FCT. Este trabalho demonstra que as caminhadas pelo litoral se tornaram a força motriz das mobilizações étnico-políticas e através delas se constituem vetores para promoção de trocas diversas e da intensificação das relações de parentesco.
Palavras-chave: mobilidade; Guarani-Mbya; espacialidade; territorialização; associativismo.

 


 

THAIS HELENA MEDEIROS
Rios de dádivas e dívidas: trocas, jogo de futebol e festa entre comunidades e aldeias dos rios Arapiuns e Tapajós-Pará
Defesa: 03/06/2019

Banca: Thereza Cristina Cardoso Menezes (CPDA/UFRRJ – Orientadora),  Fátima Portilho (CPDA/UFRRJ – Coorientadora), Eli de Fátima Napoleão de Lima (CPDA/UFRRJ), Paula Mendes Lacerda (UERJ) e Dan Gabriel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro (UFRRJ).

Resumo: Esta tese examina práticas e sentidos sociais das relações de trocas que se consistem no sair pra ganhar jogo e pagar visita, realizadas pelos clubes e times de futebol, em comunidades e aldeias dos rios Tapajós e Arapiuns, em Santarém/PA. Este fato social se dá a partir de um acordo mútuo, permeado de certa ostentação suntuária, em que se baseia o ato de dar, receber e retribuir torneios festas grandes, transacionando jogos de futebol, pacotes de cerveja e entradas na festa. As descrições se dão no exercício de comparações históricas abrangentes e incluem análises das permanências e transformações sociais, sendo o jogo de futebol e a festa, os fios condutores para se apreender relações singulares. O trabalho identifica as trocas mediadas, ou não, pelo dinheiro, bem como examina valores e regras que orientam as situações sociais. Os torneios constituem espaços sociais da diversão e, principalmente, do fluxo das relações de amizade. Seus festeiros(as), metáforas das escudarias, transacionam coisas na base do crédito-dívida e garantem o fluxo contínuo dos eventos, bem como assimilam as demarcações temporais do estar juntos, entre aliados e amizades. O estudo buscou compreender como a mobilidade e circulação engajam coisas e pessoas na malha social, moldando processos interculturais.
Palavras-chave: relações de trocas; sair pra ganhar jogo e pagar visita; torneios de futebol e festas; Amazônia-Pará.

 


 

RODRIGO KUMMER
Juventudes rurais e permanências: ruralidades e urbanidades representadas no Extremo Oeste de Santa Catarina
Defesa: 11/09/2019

Banca: Eli de Fátima Napoleão de Lima (CPDA/UFRRJ – Orientadora), Thereza Cristina Cardoso Menezes (CPDA/UFRRJ), Ana Louise de Carvalho Fiuza (UFV) e Susana Cesco (UFF).

Resumo: Esta tese discute os processos de permanência dos jovens no meio rural da região Extremo Oeste de Santa Catarina. O objetivo da pesquisa é compreender como a construção de representações sociais subsidia e interfere nos processos decisórios desses atores sociais. Na última década, as taxas de permanência dos jovens no meio rural têm aumentado sensivelmente. Analisar, portanto, as representações tecidas em relações a esses cenários e refletir sobre os imaginários e percepções acionadas é uma ferramenta profícua para melhor compreender que ruralidade e que sociedade se está gestando na contemporaneidade. A pesquisa baseou-se na coleta de questionários e entrevistas, além do acompanhamento etnográfico. Com base nessas informações, pode-se considerar que os jovens rurais tecem uma representação positivada do meio rural, fundada na percepção elogiosa de suas condições de trabalho, renda e tranquilidade. Ao ponderaram sobre a urbanidade, formatam representações negativas, vinculadas ao ritmo de vida, a falta de autonomia e ao risco. Essas perspectivas permitem aferir que a ruralidade é tomada como um projeto de vida, do qual as relações familiares, geracionais, de gênero, renda e protagonismo são elementos centrais. Estimular o diálogo familiar e social das questões juvenis torna-se necessário para melhorar as perspectivas de vida no meio rural.
Palavras-chave: juventude rural; permanência; migração; ruralidade; urbanidade; representações sociais.

 


 

ARIANE DA SILVA FAVARETO
Dinâmicas rurais contemporâneas e configurações sociais de gênero
Defesa: 18/10/2019

Banca: Maria José Teixeira Carneiro (CPDA/UFRRJ – Orientadora), Elisa Guaraná de Castro (CPDA/UFRRJ) e Ana Louise de Carvalho Fiuza (UFV).

Resumo: Esta tese tem por objetivo analisar a maneira e em quais dimensões da vida social as mulheres são afetadas pelas dinâmicas da ruralidade contemporânea e como isso se reflete nas configurações sociais de gênero e, consequentemente, na posição da mulher na sociedade. Optou-se, de forma teórica e metodológica, com inspiração na obra de Norbert Elias, pelo uso do termo configurações ao invés de relações de gênero, de modo a abarcar maior complexidade da vida social, remetendo desde os processos de socialização iniciais até as interações mais recentes, sem deixar de lado fatores exógenos que incidem nas construções sociais. Utiliza-se a categoria modo de vida para compreender a ruralidade que, traduzida em identidades e representações, orienta as estratégias e aproveitamento de oportunidades colocadas no exercício de atividades pretéritas, ligadas à agropecuária e outras desenvolvidas mais recentemente que se aproveitam da utilização e valorização dos recursos naturais. Tais condições foram observadas no município de Cunha, localizado no Vale do Paraíba, estado de São Paulo, universo desta pesquisa. Como instrumento, utilizou-se a análise da trajetória de vida de mulheres que trabalham no desenvolvimento de atividades ligadas ao turismo, à agroecologia e à pecuária, a partir de entrevistas semiestruturadas; bem como da observação participante. A tese que se busca demonstrar é que nas dinâmicas da ruralidade contemporânea são abertas novas possibilidades de inserção para as mulheres. O aproveitamento destas oportunidades não é unívoco, se expressa de forma heterogênea, dadas suas próprias trajetórias de vida e as interdependências realizadas, que determinam o aproveitamento ou o constrangimento das oportunidades surgidas e vão incidir na sua posição social, especialmente, no que se refere a trabalho e renda, escolaridade e capacitação, e o uso do tempo, dimensões da vida social que afetam as capacidades femininas.
Palavras-chave: mulheres rurais; Cunha (SP); turismo; agroecologia; pecuária.

 


 

FABRICIO TELÓ
Organizações armadas e camponeses: comunicação, emoções e engajamento político (1968-1975)
Defesa: 16/12/2019

Banca: Leonilde Servolo de Medeiros (CPDA/UFRRJ – Orientadora), Debora Franco Lerrer (CPDA/UFRRJ), Jean Rodrigues Sales (UFRRJ), Daniel Aarão Reis Filho (UFF) e Marcelo Siqueira Ridenti (Unicamp).

Resumo: No final dos anos 1960 e início dos anos 1970, inspiradas pelas Revoluções Chinesa e Cubana, as organizações armadas brasileiras tentaram liderar movimentos revolucionários de oposição à ditadura militar da época mobilizando camponeses para se engajarem em grupos de guerrilha rural. Esta tese analisa a relação entre esses atores sociais. Como se dava a comunicação entre eles, como eram apresentadas as propostas de revolução pela via armada, qual o papel das emoções para o processo de engajamento dos camponeses, de que maneira a clandestinidade impactava nas interações com as populações locais, quais os efeitos da adoção de uma perspectiva leninista por parte dos militantes e que lugar ocupava a pauta do acesso à terra nesse contexto são algumas das perguntas que orientam a pesquisa. Dentre as principais inspirações estão as contribuições de Paulo Freire e Jesus Martin-Barbero sobre comunicação; James Jasper e Helena Flam sobre emoções; Donatela Della Porta sobre clandestinidade; Oliver Fillieule, Julieta Quirós, Marcelo Kunrath Silva e Bianca Ruskowski sobre engajamento; Eric Wolf e James Scott sobre a relação entre campesinato e revolução. O estudo se baseia nas experiências do Comando de Libertação Nacional (Colina) em Cachoeiras de Macacu/RJ; da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares (VAR-Palmares), em Imperatriz/MA; do Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8), em Brotas de Macaúbas/BA e da Ação Popular (AP), na Chapada Diamantina, também na Bahia. A metodologia utilizada foi a história oral, conjugada com a análise documental e bibliográfica, que permitiu a elaboração de uma comparação entre os diferentes casos analisados. Os resultados da pesquisa indicam que, a despeito do esforço dos militantes em se tornarem próximos aos camponeses, geralmente havia um estranhamento por parte destes, em função das diferenças culturais. Ainda que a adesão tenha sido minoritária, as diversas formas de assistência prestadas pelos militantes contribuíram para a produção de emoções recíprocas de amizade e lealdade, bem como para o processo de engajamento de alguns camponeses.
Palavras-chave: campesinato; luta armada; comunicação; emoções; engajamento.

 


 

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