Teses Doutorado 2025

Os trabalhos estão colocados em ordem cronológica (data da defesa) e podem ser acessados na plataforma Sucupira ao clicar em seus títulos.

 

INARA DO NASCIMENTO TAVARES
Wanhikynyi, Ya’re’: tem comida! A produção de conhecimento sobre soberania alimentar e segurança alimentar e nutricional (SSAN) desde a perspectiva dos povos indígenas
Defesa: 14/01/2025

Banca: Renato Maluf (Orientador – CPDA/UFRRJ), Thereza Cristina Cardoso Menezes (CPDA/UFRRJ), Diadiney Helena de Almeida (UFRRJ), Ana Lucia de Moura Pontes (Fiocruz), Ligia Amparo da Silva Santos (UFBA), Lucine Burlandy Campos de Alcântara (UFF).

Resumo: Esta tese tem como foco a produção de conhecimento sobre soberania alimentar e segurança alimentar e nutricional (SSAN) a partir da perspectiva dos povos indígenas, destacando a importância das mulheres indígenas nesse processo. As mulheres indígenas são as principais responsáveis pelos processos de alimentação e pela transmissão dos saberes ancestrais. Dessa forma, a pesquisa discute seu lócus de enunciação na produção de conhecimento. Foi realizada uma revisão bibliográfica sobre o tema, destacando as produções de autorias indígenas e suas concepções. Assim, a pesquisa adota o conceito de “território-corpo-espírito” como uma lente epistemológica para compreender a soberania alimentar, onde a comida não é apenas entendida como um bem de consumo, mas como um elemento vital que interage com as dimensões físicas, culturais e espirituais dos povos indígenas. O desenvolvimento da tese ocorreu durante a pandemia de Covid-19, nos levando a discutir os impactos e estratégias autônomas dos povos indígenas para garantir sua segurança alimentar. Além disso, foi realizado um trabalho de campo com famílias indígenas da Associação Cultural Indígena do Estado de Roraima (KAPÓI), focando nos sentidos dados pelas comunidades indígenas em contexto urbano. A perspectiva indígena sobre a soberania alimentar traz contribuições significativas para o campo, ao integrar as dimensões simbólicas e espirituais na compreensão da alimentação, ressignificando o conceito de SSAN e ampliando as possibilidades de reflexão sobre a autonomia alimentar dos povos indígenas, mesmo em contextos urbanos. Assim, esta pesquisa propõe uma leitura crítica e profunda sobre a comida e a soberania alimentar como algo que transcende a dimensão nutricional, afirmando-as como um direito integral que envolve não apenas o corpo, mas também o território e o espírito.
Palavras-chave: mulheres indígenas, soberania e segurança alimentar e nutricional, território-corpo-espírito.

 


 

NATALIA CARVALHO MÉDICI MACHADO
Maraka’nà e o Maracanã: autonomia e resistências de uma retomada indígena na cidade do Rio de Janeiro
Defesa: 24/04/2025

Banca: Andrey Cordeiro Ferreira (Orientador – CPDA/UFRRJ), Carmen Andriolli (CPDA/UFRRJ), Izabel Missagia de Mattos (UFRRJ), Rodolfo Liberato de Noronha (Unirio), Letícia Luna Freire (UERJ)

Resumo: A Aldeia Maraka’nà é palco de intensa disputa entre Estado e indígenas pela posse do terreno. O trabalho investiga questões relacionadas à autonomia no contexto da Aldeia, entendendo-a enquanto um processo de retomada de território, identidade, cultura e história que se (re)formula a partir da etnicidade e autoidentificação étnica dos indígenas.
Palavras-chave: autonomia; Aldeia Maracanã; retomadas; movimento indígena; etnicidade.

 


 

LUIZA ANTUNES DANTAS DE OLIVEIRA
“O banco dos réus está vazio!”: tribunais populares e as disputas por memória e justiça frente à violência no campo nos anos finais da ditadura
Defesa: 29/04/2025

Banca: Leonilde Servolo de Medeiros (Orientadora – CPDA/UFRRJ), Priscila Delgado de Carvalho (CPDA/UFRRJ), Alessandra Gasparotto (UFPel), Cristiana Losekann (UFES), Fernando de Castro Fontainha (UERJ)

Resumo: São chamados tribunais populares, ao longo desta tese, as ações de protesto realizadas na forma de julgamentos, dedicados a crimes não reconhecidos formalmente pelo sistema de justiça ou por ele tratados de forma incompleta, pouco satisfatória, de acordo com as vítimas e familiares. Em geral, os tribunais são realizados por movimentos sociais e outras organizações valendo-se dos rituais da jurisdição estatal para fazer denúncias, ouvir testemunhas, identificar responsáveis e anunciar posições em determinados processos políticos. A tese volta-se para as experiências realizadas pelos movimentos sociais do campo durante a abertura e transição política no Brasil, denominados Tribunal da Terra e Tribunal Nacional dos Crimes do Latifúndio, nos quais se julgaram casos de assassinatos deflagrados em razão de conflitos agrários, apurando-se também responsabilidades sobre outras formas de violência no campo. Os tribunais de protesto são assumidos como terreno empírico para refletir sobre os usos do Direito no repertório de confronto que marcou as disputas pela democratização, valendo-se de lentes de análise que interconectam a Sociologia Política e a Sociologia do Direito. Pressupondo que as formas de mobilização política do direito pelos movimentos sociais do campo durante a transição política guardam estreita relação com usos e sentidos sociais cultivados ao longo da Ditadura Empresarial-Militar (1964-1985), a reflexão dialoga com as pesquisas em torno das especificidades da repressão política no campo, bem como os efeitos da ditadura sobre as formas de organização e resistência das populações camponesas. Ao final, são apontados quatro usos de protesto do Direito referidos ao período autoritário e que concorreram para a realização dos tribunais populares objeto da tese: “no espaço das leis”, “antijudiciário”, “para redefinir as leis” e “em nome da justiça”. Trata-se de pesquisa qualitativa realizada a partir de entrevistas e de análise de conjunto de documentos históricos oriundos de diferentes acervos.

Palavras-chave: Ações coletivas; Direito; Movimentos Sociais; Impunidade; Ditadura Militar.

 


 

SOLANGE TODERO VON ONCAY
Sociogênese dos Cursos de Licenciatura em Educação do Campo no Sudoeste do Paraná (2004-2015)
Defesa: 11/07/2025

Banca: Debora Franco Lerrer (Orientadora – CPDA/UFRRJ), Valéria Da Cruz Viana Labrea (Coorientadora – UFRRJ), Jorge Osvaldo Romano (CPDA/UFRRJ), Leonilde Servolo De Medeiros (CPDA/UFRRJ), Fernando José Martins (UFRGS), Leonice Aparecida De Fátima Alves Pereira Moura (UFSM).

Resumo: O trabalho consiste em investigar e compreender os processos formativos dos primeiros cursos de Licenciatura em Educação do Campo realizados no Sudoeste do Paraná, sendo “Pedagogia da Terra” e “Licenciatura em Educação do Campo” (2004 – 2015). Ao analisar em que medida as matrizes que orientaram o trabalho pedagógico destes cursos puderam contribuir para o avanço da consciência contra-hegemônica dos egressos, busca-se subsídios para fortalecer os cursos de Licenciatura em Educação do Campo, que se seguiram mantendo a mesma configuração em termos de propostas de organização curricular. A pesquisa se fundamenta em pressupostos de caráter qualitativo, utilizando entrevistas semiestruturadas com os egressos desses cursos e análise documental. Também faz uso da produção de uma sociogênese sistematizando a tecitura sócio-histórico e política do Sudoeste do Paraná e a trajetória da Educação no Campo. Destaca-se pelo olhar da sociogênese, a experiência na formação política pedagógica e organizativa, a consciência de classe com inserção nas lutas e nos movimentos sociais, o viés direcionado para o trato pedagógico dado à categoria questão agrária, em vista confrontar a concepção da formação e a prática pedagógica dos egressos no matizar de uma docência a serviços dos interesses dos sujeitos do campo. Os caminhos metodológiocos se alicerçam da produção da experiência no “fazer-se classe” (Thompson), na totalidade (Materialismo Histórico-Dialéticos) e na sociogênese; uma tentativa de ir aos fundamentos teórico metodológicos das matrizes destes cursos “para que não viemos sofrer a amnésia de gênese” (Bourdieu), como forma de reconhecer e fortalecer a construção histórica e o legado construído nos espaços formativos forjados nas lutas dos Movimentos Sociais. Outrossim, busca-se ratificar a importância histórica destes cursos em sua função social política e pedagógica, seja na formação docente ou na construção de um saber que tenha contido um germe de resistência e uma episteme de produção social e humana, a favor dos camponeses e dos outros sujeitos deserdados do campo.
Palavras-chave: Sociogênese, Licenciatura em Educação Rural, Formação Humana, Contra-hegemonia.

 


 

HENRIQUE DUARTE
Agro para quem? As disputas de narrativas e o discurso hegemônico do agronegócio no Mato Grosso
Defesa: 03/11/2025

Banca: Jorge Osvaldo Romano (Orientador – CPDA/UFRRJ), Nelson Giordano Delgado (CPDA/UFRRJ), Beatriz dos Santos de Oliveira Feitosa, Daniel Macedo Lopes Vasques Monteiro, Liza Uema

Resumo: O agronegócio é uma prática política consolidada no Estado do MT, sendo resultado de uma construção hegemônica enquanto projeto de nação e “palavra política”. Com base na Análise do Discurso de Laclau e Mouffe, compreendemos a hegemonia do agro como uma construção política caracterizada pelo antagonismo, reconhecendo que também existem narrativas divergentes que formam o discurso hegemônico do patronato rural no MT. Com isso, a proposta desta tese será resolver dois problemas diante da pergunta: Agro para quem? O primeiro sobre a construção da hegemonia do agronegócio no MT, e o segundo sobre as disputas políticas de narrativas no campo do agronegócio. Buscaremos identificar os elementos discursivos que constroem a hegemonia do agronegócio no MT, identificando os conceitos e noções que se articulam a categoria as práticas e estratégias discursivas que caracterizam esse rural enquanto agro. Ao mesmo tempo procuraremos exibir e refletir as narrativas em disputa do agronegócio no MT dos anos de 2017 a 2024, que representam os diferentes interesses e visões do agronegócio e que podem se unir enquanto classe, mas, divergem quando delimitam diferentes projetos, nas narrativas “institucional”, “empresarial”, e o “agrobolsonarista”. Também serão investigadas as estratégias discursivas que fazem do agro um objeto de consumo popular, cultural e político no MT, e que se expressam nas mídias sociais, jornais, meios de comunicação de massa e escolas. Faremos a identificação dos intelectuais orgânicos do agronegócio no MT, suas práticas discursivas e o entendimento sobre as mobilizações discursivas que fixam pontos nodais e disputam também o sentido da palavra política agro.
Palavras-chave: Agro; Agronegócio; Discurso; Hegemonia; Mato Grosso.

 


 

KARINA DE PAULA CARVALHO
Isso é que muda: produzir soberania alimentar está para além do plantar
Defesa: 17/12/2025

Banca: Renato Maluf (Orientador – CPDA/UFRRJ), Claudia Job Schmitt (CPDA/UFRRJ), Silvia Aparecida Zimmermann (CPDA/UFRRJ), Rute Ramos Da Silva Costa (UFRJ), Marcelo Firpo De Souza Porto (FIOCRUZ).

Resumo: Este trabalho analisou as estratégias das mulheres do Centro de Integração da Serra da Misericórdia (CEM) na construção da soberania alimentar, em meio às injustiças étnico-raciais e de gênero vividas na favela Terra Prometida, no Complexo da Penha (RJ). Por meio da pesquisa de campo, objetivou compreender as questões e estratégias mobilizadas pelo coletivo, que aqui se lê como esforços em prol do acesso à comida de verdade e da construção da soberania como um dos instrumentos capazes de contestar as injustiças. Diante de um território minado entre o narcotráfico, milícia, mineração, violência institucional e desejos de “verdejar” pela Agricultura Urbana Agroecológica Favelizada, dentre outras questões entrelaçadas, o olhar foi lançado sobre aquelas em que as noções de soberania alimentar e justiça são mobilizadas e empregadas no cotidiano das ações coletivas de mulheres negras que almejam morar, plantar e colher na favela. A pesquisa acompanhou-as se apropriando desses elementos como princípios inseparáveis que nomeiam as injustiças e capacitam suas ações no território e fora dele. Discute-se como as experiências populares de abastecimento solidário, no caso do CEM, podem ser compreendidas como expressões concretas de promoção de justiça alimentar, ao reivindicarem não apenas o acesso físico e econômico à comida, mas também direitos e autonomia para além do plantar. Traduzidas aqui como “soberania alimentar além do plantar” e justiça no colher e comer. Tal concepção amplia essas noções postas em análise, pela perspectiva da justiça antirracista e antissexista, ao incorporar dimensões de emancipação política de mulheres negras faveladas. Inspirada por epistemologias das encruzilhadas e interseccionalidades nas dinâmicas comunitárias e pelo protagonismo dessas mulheres em específico, temos que essas experiências desestabilizam a racionalidade produtivista e mercantil que sustenta o sistema alimentar dominante, aproximando-se da perspectiva da redistribuição-reconhecimento para abolir ou mitigar, o mais possível, as desigualdades arbitrárias. Uma possibilidade para que diferentes grupos sociais acessem em condições equitativas a comida de verdade e possam viver com dignidade. Simultaneamente, ampliando no processo suas capacidades coletivas de decisão e ação em torno da comida. Por fim, a excepcionalidade das experiências das Mulheres em Ação do CEM traduz-se na prática a justiça em termos da práxis compartilhada, que se realiza na construção de laços comunitários e afetivos de abastecimento, na gestão autônoma dos quintais e hortas, na Cozinha Solidária e na Escola Popular de Agroecologia. Assim, não se inserem no campo agroecológico apenas como uma resposta emergencial à fome, mas como uma trincheira de ressignificação do território da violência para o território do bem-viver, pela “comida livre de violência”, que desafia o crime organizado e o Estado, bem como a Agroecologia e as políticas públicas, ao nos fazer repensar as formas de garantir o direito humano à alimentação sob a ótica da justiça racial, de gênero e territorial.
Palavras-chave: Soberania Alimentar; Justiça Alimentar; Abastecimento; Agroecologia; Mulheres Negras Faveladas.

 


 

Postado em 30/01/2026 - 10:55 - Atualizado em 05/02/2026 - 12:02

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