O QUE PERMANECE: Esculturas que atravessam corpo, memória, silêncio, passagem e gestos cotidianos

A exposição “O QUE PERMANECE: Esculturas que atravessam corpo, memória, silêncio, passagem e gestos cotidianos”, nasce e das vivências de cinco artistas/alunos na disciplina PROJETO ARTÍSTICO DE ESCULTURA, do Curso de Licenciatura em Belas Artes da UFRRJ, que propõe a formação de professores de Artes Visuais, nos contextos formais, não formais e informais de arte/educação. O projeto propõe um conjunto de ações de caráter educativo, social, cultural, científico e tecnológico, que colabora para a formação artística dos educandos, bem como capacitá-los na organização de eventos, e torná-los disseminadores culturais no grupo social que habitam.
Aqui apresentaremos a síntese de cinco projetos individuais, que são amplos e perpassam por todos os processos práticos e teóricos, de criação das esculturas e dos processos de criação e curadoria de uma exposição. A criação, a curadoria e a montagem da exposição foi um processo coletivo, com o objetivo de despertar no público um olhar crítico a respeito da cultura visual que o cerca, bem como sobre os trabalhos artísticos apresentados.
O papel fundamental na organização do evento é do grupo, que precisou compreender o processo de construção de imagens e suas diversas linguagens através dos conteúdos básicos do curso/disciplina abordando definição dos conteúdos técnicos, dos procedimentos, do conteúdo temático, da leitura e da preparação de texto. Planejamento: a) Pré-projeto (cronograma; recursos financeiros; memorial descritivo/Caderno de Artista; definição das etapas; viabilidade do projeto); b) Curadoria (escolhe as peças e o conceito da exposição; estabelece o tema geral e o público-alvo; define a equipe técnica; procura lugares com a infraestrutura adequada para a realização da exposição; seleciona o lugar, e reserva as datas de início e fim do evento incluindo montagem e desmontagem, verifica as necessidades de documentação especial para a realização da exposição); c) Execução/expografia: definição de data e hora, estudo do espaço físico, monitoria, cartaz; elaboração de material de divulgação como convites, panfletos, catálogo, anúncios em jornais, releases para mídia especializada e redes sociais; lançamento do evento com apresentação do folder, interação com o público através de visitação presencial ou galeria online, e registro de toda a exposição; d) Ações pedagógicas, recebendo escolas e o público em geral, calendário de eventos, equipe responsável material necessário.
Com apoio institucional da UFRRJ, através do DARTES/ICHS e da PROEXTE/Centro de Memória – Casa do Reitor, com ajuda dos artistas e monitores serão oferecidas visitas guiadas, para que o público experimente a fruição e a vivências dos processos de produção de uma escultura. Estas ações aproximam a população dos saberes formais da arte e melhoram a sua atuação, no que diz respeito às atividades artísticas. Os textos abaixo são de autoria dos artistas, e o cartaz da exposição foi uma parceria com Daniel Santos da Paz.
Professora Marisa Vales












“FLORESCER”

Esta escultura nasce das minhas memórias e da ancestralidade feminidade que me molda. Representada na forma simbólica de um útero, a peça – construída em tela de arame moldada à mão, com vergalhão interno e base de gesso – revela a força criadora do feminino. Pelas aberturas da trama, flores delicadas em tecido, arame e miçangas brotam da peça, contrapondo suavidade à rigidez metálica.
Inspirada na poética de Louise Bourgeois, a obra dialoga com corpo, memória e cura. Cada volta do arame e cada flor posicionada à mão são um gesto de homenagem às mulheres que me antecederam e às que seguem transformando matéria em sentido. É um corpo que floresce de dentro para fora, unindo ancestralidade, afeto e criação.


AMaia (Ana Clara Maia)
“ENTRE O BARRO, O BAIRRO E A MEMÓRIA: Uma Narrativa Ancestral”

Ao revisitar as narrativas familiares, evidencia-se que as memórias de meu pai revelam uma infância marcada pela convivência comunitária, pela fatura e por práticas culturais tradicionais, como o cultivo artesanal do café, as festividades juninas e a vivência em habitações de taipa, elementos que configuram um modo de vida ancestral característico de Itapissuma.
A Figura de minha avó e meu avô com meu pai na rede, são resultados da minha busca indenitária, ao articular memória, pertencimento e ancestralidade. Nesse sentido, o médio relevo em barro e palha, bem como os procedimento escultóricos em argila inspirados nas construções em taipa, materializam visualmente tais referências, configurando-se como dispositivos estético-antropológicos que reafirmam o diálogo entre passado e presente, transformando histórias vividas em práticas artísticas e em formas de preservação do patrimônio imaterial familiar.


Erick Arruda (Érick Barreto Arruda)
“O SILÊNCIO É AÇÃO”

O silêncio conduz o gesto, e nas figuras humanoides o som se recolhe enquanto o movimento surge por dentro. São dez corpos em pausa, que se tencionam entre o que cala e o que age. O silêncio sustenta, respira e revela, e é nele que a forma se faz gesto. Para sustentar o projeto, tivemos como base A Poética do Espaço de Gaston Bachelard.










Kart (Kamila Mendes Dangelis)
“MEMÓRIA EM TRAVESSIA”

“Memória em Travessia” é um projeto composto por mini portas que simbolizam passagem, lembrança e o processo de desenvolvimento pessoal e profissional da artista. Nesta exposição, é apresentada a porta do Museu Centro de Memória, moldada em argila e finalizada em gesso, representando uma das travessias que marcaram seu percurso e inspiraram sua trajetória criativa.




Luana AMS (Luana Andrade Medeiros Santos)
“UTILITARIDADE”

Propomos uma experiência artística/pedagógica, que visa trazer o lúdico do imaginário infantil, para a vida adulta chata (maçante) e monótona. Aqui, o cotidiano, através dos mini utilitários, como saboneteiras, pratos, porta guardanapo, proporcionam formas diferentes, cores mais vibrantes e padrões que fogem do geométrico e do cinza.
Uma saída do simples minimalista e abstrato, inspirada na Pop Art, em especial nos pontos que tangem: a vida cotidiana; a cultura de massa; as cores intensas e vibrantes; os conceitos industriais; o universo infantil das histórias em quadrinhos e dos brinquedos.


Izzy (Maria Isabelle Sousa Santos)