CPDA indica trabalhos para concorrer aos prêmios ANNPAS e CAPES de Tese 2017

A coordenação do Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (CPDA/UFRRJ) encaminhou os seguintes trabalhos para representar o departamento e concorrer aos prêmios ANNPAS 2017 e CAPES de Tese – Edição 2017.

– Indicada para o Prêmio ANPPAS 2017, a tese de Lilyan Guimarães Berlim, defendida em 30/09/2016, intitulada “Transformações no Campo da Moda: Crítica, Ética e Estética”, sob a orientação da Prof.ª Maria de Fátima Ferreira Portilho.

Resumo: A moda e a indústria têxtil constituem um dos maiores segmentos de negócios do mundo. Associadas simbioticamente, chamamos este campo de indústria da moda. O segmento vem sendo alvo de críticas éticas, estéticas e ambientais. Estas críticas se dirigem, principalmente, ao que tem sido chamado de “moda rápida”, ou fast fashion, um sistema de produção de alta velocidade, integrado às tecnologias de informação, que gerencia lançamentos, vendas, estoques e manufatura de roupas, transformando fichas técnicas de peças de vestuário em um produto acabado dentro de pontos de venda em poucos dias. O fast fashion é uma consequência das dinâmicas do capitalismo global em busca do menor custo, em um menor espaço de tempo de fabricação, distribuição e venda, baseando-se em trabalho precário (muitas vezes em condições análogas à escravidão), na promoção do hiperconsumo e do descarte rápido de roupas e, consequentemente, do consumo de recursos naturais em escala vertiginosa, com impactos ambientais de grande extensão, e, ainda, na padronização do corpo e na difusão de uma sutil homogeneização do parecer, promovida pelas mídias de moda. Tais práticas se estabeleceram na moda nas últimas décadas do século XX como consequência das transformações do capitalismo global. A presente pesquisa mapeou e analisou as relações entre a moda e a crítica, o surgimento, a construção e as atuais configurações da crítica ética e estética ao fast fashion e as respostas que o mercado vem dando às mesmas, assim como as propostas alternativas construídas por segmentos do mercado, em especial, o movimento “moda lenta”, ou slow fashion: seu conceito, ideias e propostas de produção, consumo e engajamento. A partir da análise da politização do consumo e das macrotendências, que se configuram como um pano de fundo sociocultural às tendências de consumo, verificamos a expressão destas críticas e sua incorporação pelo corpo social; identificamos aí uma chave explicativa para a incorporação das críticas pelo mercado de moda, corroborando com o quadro teórico de Boltanski e Chiapello (2009), que entende a incorporação das críticas como necessária à justificação moral do capitalismo e sua manutenção. Os resultados indicaram que tanto o corpo social quanto o mercado expressam e incorporam as críticas nas práticas de consumo de moda; na busca por formas de novos negócios sustentáveis; na criação de valor associado à economia compartilhada; na adoção da Responsabilidade Socioambiental Empresarial e da ética nos negócios; nas alterações em processos produtivos; e no uso de matérias primas menos impactante. Verificamos também que, como incorporação das críticas e como contraponto às práticas hegemônicas de produção e consumo, o movimento slow fashion propõe não apenas a desaceleração do tempo de produção e consumo de roupas, mas também um empoderamento e ativismo político na área do design de moda, tanto na produção quanto no consumo. A pesquisa identificou a existência de alterações no setor em função da incorporação das críticas, em especial a crescente eticização da moda.

O trabalho pode ser conferido em: Transformações no Campo da Moda: Crítica, Ética e Estética

 

– Indicada para o Prêmio ANPPAS 2017 a dissertação de Ligia Scarpa Bensadon, defendida em 09/09/2016, intitulada “Tecendo projetos políticos: a trajetória da Articulação Nacional de Agroecologia”, sob a orientação da Prof.ª Leonilde Servolo de Medeiros.

Resumo: A agroecologia emergiu nas últimas décadas como uma proposta inserida nas alternativas contra-hegemônicas de desenvolvimento, expressando-se de forma ampla como movimento social, ciência, prática e um modo de vida. Diversas organizações de movimentos sociais e ONGs do campo agroecológico têm interlocuções na Articulação Nacional de Agroecologia (ANA). A pesquisa buscou compreender a formação e organização política da ANA, entendida como uma rede com heterogêneos vínculos e atores sociais, criada em 2002 para promover formulações de políticas e intercâmbios entre organizações que atuam com agroecologia. O fio condutor da pesquisa seguiu a trajetória da ANA para entender de que maneira promoveu a agroecologia enquanto um problema público reconhecido e se expressou como uma rede social, tanto para fazer convergir posicionamentos e ações, quanto para se opor ao agronegócio e disputar políticas públicas. O estudo parte da reconstrução histórica do movimento agroecológico, desde os passos iniciais da agricultura alternativa até o espraiamento e defesa da agroecologia por atores e setores diversos. Como instrumentos metodológicos, realizamos entrevistas semiestruturadas, participação em eventos e análise de documentos diversos, tendo como referencial analítico as noções de redes sociais e movimentos sociais, com uma abordagem relacional e descrição densa. A ação em rede, mesmo no esforço da horizontalidade, expressou concentrações, controvérsias e dinâmicas de envolvimento diversas. Percebeu-se que foi orientadora dessa construção a relação com o Estado, buscada como meio para expansão da proposta política, em ciclos mais ou menos intensos. Tal relação também orientou a articulação entre distintos atores sociais para uma maior difusão da agroecologia. Desde os documentos, percebeu-se o esforço para a convergência política e no consenso em temas e discursos, com uma gestão de ONGs historicamente envolvidas. Já nas entrevistas, as visões heterogêneas emergiram, expressando perspectivas e estratégias políticas marcadas por tensões que permeiam os campos políticos, num espaço de encontro das diferenças em posições sociais e relações de poder. O estudo permitiu conhecer as relações e os processos sociais que geraram a formação da ANA, bem como sua forma de ação em rede e sua expressão como parte do movimento agroecológico. A ANA impulsionou o significado político da agroecologia enquanto um frame, mobilizou os atores para um problema público e para ações em rede, com propostas de uma nova utopia.

O trabalho pode ser conferido em: Tecendo projetos políticos: a trajetória da Articulação Nacional de Agroecologia

 

– Indicada para o Prêmio CAPES de Tese – Edição 2017 a tese de José Renato Sant’anna Porto, defendida em 06/05/2016, intitulada “Poder e Território no Baixo Sul da Bahia: os discursos e os arranjos políticos de desenvolvimento”, sob a orientação da Prof.ª Claudia Job Schmitt.

Resumo: Esta tese teve como propósito estudar os diferentes arranjos políticos de desenvolvimento que se inserem no Baixo Sul, uma região litorânea no estado da Bahia que hoje é objeto de um intenso interesse turístico, mas que já foi fronteira de expansão da cultura do cacau no século passado. Ao mesmo tempo, é também caracterizada pela presença histórica de comunidades tradicionais, que ao longo das últimas duas décadas promoveram estratégias de organização social e política na região, diante da ruptura gerada justamente pela crise do latifúndio do cacau, que tanto permitiu esse conjunto de insurgências populares, quanto configurou o anúncio de novas narrativas para o desenvolvimento da região. É precisamente sobre a história e a atualidade desses arranjos políticos de desenvolvimento que esta Tese se dedicou. Assim, o primeiro capítulo tem como objeto a política pública de desenvolvimento territorial e toda gama de articulações que orbitam ao redor da temática da agricultura familiar no Baixo Sul. Já o segundo capítulo se dedica ao projeto político que é posto em prática a partir da recente expansão do turismo nesta região, e, por fim, o terceiro capítulo tem como foco a atuação e os projetos de responsabilidade social empresarial desenvolvidos pela Fundação Odebrecht no Baixo Sul.  Partindo de um referencial teórico que procura evidenciar as relações e os exercícios do poder, particularmente sob a perspectiva foucaultiana, foram organizados três dimensões de pesquisa para estudar os arranjos políticos, relacionadas (i) à análise dos programas e políticas públicas que sustentam esses arranjos; (ii) as implicações e efeitos que as intervenções acarretam sobre o território; e (iii) os discursos e imagens mobilizadas na construção das narrativas de desenvolvimento que são enunciadas.

O trabalho pode ser conferido em: Poder e Território no Baixo Sul da Bahia: os discursos e os arranjos políticos de desenvolvimento

 

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