A UFRRJ em tempos de pandemia

Os esforços da sociedade, das autoridades e da comunidade científica não tem sido suficientes para conter a tragédia humana gerada por essa pandemia, que já alcançou grandes proporções. Quase cinco milhões de casos e mais de 300 mil óbitos já foram confirmados em todo o mundo. No Brasil, que caminha a passos largos para se tornar o novo epicentro da Covid-19, são mais de 200 mil casos e 16 mil óbitos. Na Baixada Fluminense, onde se situam os dois maiores câmpus da nossa universidade, já foram confirmados 3.737 casos e 470 óbitos. Devido à subnotificação e à baixa testagem, estima-se que o número de infectados pela doença seja ao menos dez vezes maior, e o de óbitos de duas a três vezes superior.

Nós, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, lamentamos cada uma dessas vidas ceifadas e nos solidarizamos com todos os familiares, amigos e colegas diante da dor irreparável causada por essas perdas.

A pandemia é um desafio sem precedentes à comunidade acadêmica. A UFRRJ reagiu de forma ágil, visando à preservação da vida no seu interior e no seu entorno. Uma importante indicação do impacto positivo da suspensão imediata das nossas atividades presenciais é o fato do município de Seropédica ser, até o momento, um dos menos afetados na região metropolitana do Rio de Janeiro.

Os avanços realizados nos últimos anos com a implantação do Sistema Integrado de Gestão na Universidade possibilitaram a rápida conversão da maior parte das atividades cotidianas da universidade para a modalidade de trabalho remoto.  As instâncias de participação e deliberação, tais como colegiados de curso, departamentos, colegiados superiores, grupos de trabalho, entre outros se adaptaram aos ambientes de webconferência.

As atividades de pesquisa e extensão mantiveram-se dinâmicas. No mês de abril, em menos de 15 dias, cadastramos mais de 320 atividades remotas na Pró-Reitoria de Extensão com mais de 6.000 inscritos. Congressos, simpósios, seminários, exames de qualificação e bancas foram convertidos para a modalidade online. Projetos e iniciativas inovadoras nas variadas áreas de conhecimento, muitos deles interdisciplinares, conquistaram repercussão junto à sociedade e veículos de comunicação.

A partir dessa reação inicial, devemos agora a nos concentrar nos desafios futuros. Em primeiro lugar, é importante destacar que, embora haja muita incerteza sobre a evolução da pandemia, existem consensos sobre alguns pontos. Será difícil obter vacinas seguras, eficazes e disponíveis para todos em menos de 24 meses. Novas ondas de infecção de maior ou menor intensidade se propagarão pelo mundo ao menos pelos próximos dois anos. Como nos organizaremos durante esse período?

Precisamos enfrentar o desafio da construção de estratégias de ensino adequadas às restrições e limitações que o momento nos impõe partindo de princípios como inclusão social e indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Não se trata da adesão a qualquer solução pré-estabelecida de educação à distância. Nosso compromisso institucional é com o restabelecimento do ensino presencial, assim que as autoridades sanitárias e as instituições científicas indicarem que estamos seguros para retomar as atividades. Conforme indicamos anteriormente, porém, esse momento deve demorar a chegar.

Temos muitas respostas a serem buscadas em curto prazo. Como utilizar ferramentas tecnológicas articuladas em metodologias pedagógicas criativas para oferecer um ensino de qualidade, que proporcione condições para que os discentes avancem no seu percurso formativo? Como assegurar meios adequados de aprendizado, com atenção dos docentes aos estudantes, durante o distanciamento total ou parcial? Como definir políticas institucionais para assegurar acesso à atividade remota para os estudantes em condições socioeconômicas mais desfavoráveis? Que investimentos em capacitação, infraestrutura e desenvolvimento de tecnologias são necessários para alcançar os objetivos indicados acima?

Essas são algumas das indagações que a comunidade acadêmica da UFRRJ, em todos os seus segmentos e instâncias, necessita debater. Estamos seguros que teremos maturidade política e acadêmica e construiremos soluções pactuadas com o maior grau possível de convergência, a fim de enfrentarmos os desafios dos próximos semestres. A Administração Central da UFRRJ coordenará o processo de debate participativo com o auxílio de grupos de trabalho, conforme aprovado pelo Conselho Universitário em sua última reunião realizada em 14 de maio.

A pandemia nos impôs uma dura realidade, mas temos certeza que a nossa Universidade se mostrará, uma vez mais, à altura dos desafios colocados, em todas as dimensões.

 

Seropédica, 18 de maio de 2020

Administração Central da UFRRJ

 


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